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miguelMuitas têm sido as manifestações e mensagens nestes últimos dias acerca da minha estreia ao volante num rali e pouco têm sido o meu feedback. Não por desvalorizar cada uma das palavras de parabéns pela estreia ou pelo desempenho, não por falta de atenção para com todos aqueles que me têm dado toda a atenção neste mar de emoções fortes que vivi juntamente com esse maluco, amigo de longa data, que dá pelo nome de Luis Ferreira, mas sim porque tenho dado imensas voltas à cabeça a tentar reviver tudo e assimilar tudo o que aconteceu e que tentarei transportar para palavras nesta crônica (perdoem-me se for demasiado extensa)... não tem sido fácil organizar as ideias.

A HISTÓRIA POR DETRÁS DO "NOSSO" RALI DE CERVEIRA

Janeiro de 1998, classificativa de Vilar de Mouros, perto do final em Covas, poucos metros acima da esquerda sobre ponte, conhecida como Ponte de Brasil. Lá estava eu, empoleirado num talude a ver pela primeira vez um rali - o Rali Casino da Póvoa - com nomes como Adruzilo Lopes, José Carlos Macedo, Pedro Matos Chaves... e carros como o Peugeot 306 Maxi ou os Renault Megane e Clio Maxi. Foi nesse momento que "o bicho mordeu" e mordeu com força.

Era impossível não ficar viciado e apaixonado pelos ralis, quer fosse pelo som dos motores, quer fosse pela espetacularidade dos carros ou pela pilotagem dos "mestres", quer fosse pela beleza do traçado e sua envolvente.

Os anos passam, o "Casino" termina mas regressam os ralis a estes palcos com o Rali de Cerveira, na época do saudoso Open de Ralis. Com a paixão bem viva, lá estava eu de máquina fotográfica em punho a acompanhar as verificações técnicas e por intermédio de um outro amigo ralizeiro - o Orlando Brito - acabo por conhecer o Luis nesse mesmo momento. A paixão pelos ralis era um ponto em comum com este "miúdo" natural de Covas, terra cheia de tradição e história no que à modalidade diz respeito.

Ano após ano a paixão ia cimentando e o sonho de um dia também eu "ser piloto" crescia, tal como acontecia com o Luis, embora ele estivesse mais virado para a navegação (enfim... ideias!!) e como tal, da amizade criada em torno dos ralis surgiu um outro sonho conjunto: "um dia ainda vamos fazer um rali os dois". E sem dar por ela, assim se criou um sonho a dois cujo plano passava por dois ralis: Cerveira comigo ao volante, e Viana com o Luis ao volante, a fim de evitar que o conhecimento do terreno de cada um culminasse em entusiasmo, em pisar o risco e dar m..asneira - sonho esse vivido ao longo de mais de uma década.

Entretanto pelas voltas da vida o Luis virou mesmo navegador e eu acabaria também por cair nas graças da arte de "cantar notas" - adoro! Sinto-me completo ao faze-lo! Mas a vontade de experimentar o volante continuava lá... e para o Luis a vontade de fazer o "rali de casa" era também muito forte.

AQUELE COMUNICADO DE IMPRENSA QUE MUDA TUDO

Faltavam poucos dias para a edição 2021 do Rali de Viana do Castelo, talvez a prova pela qual tenho mais carinho, ou não fosse eu de Viana do Castelo, e as atenções estavam todas na estreia do Panda Kit Car, no qual eu iria uma vez mais fazer equipa com o "Colin McOrnelas". E eis que de repente, uma notificação de email. Fui ver, era um comunicado de imprensa do CAMI cujo título dizia "Rali de Cerveira está de regresso". Pára já tudo!! "O quê? Rali de Cerveira? Que espetáculo! Era um rali giro para eu experimentar fazer ao volante", pensei quase de imediato. Dou a boa nova ao Luis e quase que num pensamento combinado, concordamos que podíamos tentar correr em Cerveira juntos.

"Deixa passar o Rali de Viana e vamos pensar nisso" dizia eu ao Luis mas cá dentro o que se ouvia era "deixa passar Viana o caraças, já não consigo pensar noutra coisa", tal era o entusiasmo causado pela oportunidade que se cruzou na nossa frente. Mas aposto que do lado dele foi igual!!

DA CONVERSA FIADA AO ARREGAÇAR AS MANGAS

A ideia de alugar um carrito já meu conhecido de outro rali como navegador e de uma participação na Rampa de Santa Luzia ao volante ganhou forma. Diverti-me tanto naquele carro na unica vez que o conduzi, que teria de ser naquele Yaris que faria o Rali de Cerveira caso essa ideia doida fosse para a frente. Mas aqui as dúvidas ainda eram muitas sobretudo porque teríamos de começar do zero e conseguir preparar tudo em menos de 1 mês. A parte mais difícil - conseguir reunir a tão necessária verba - deixava-me um tanto ou quanto descrente, admito. Mas como o Luis é um gajo do caraças, acreditou logo que podíamos conseguir (acreditou mais do que eu) e incentivou muito este projecto.

Ainda meio desconfiado (e assustado!!) fiz um e outro contacto só para perceber que tipo de respostas poderíamos vir a ter na altura de pedir ajuda e desde logo fui surpreendido, 2 contactos e 2 respostas positivas! "Espera aí... isto se calhar até se consegue qualquer coisa... vamos tentar!"

E foi desta maneira que durante vários dias chateamos a cabeça a muita gente a tentar angariar as pequenas GRANDES ajudas que fazem toda a diferença. Felizmente há gente boa neste mundo que ajuda a que os sonhos se concretizem. Em luta contra o calendário, procuramos apoios ao mesmo tempo que teríamos de garantir a inscrição em tempo útil, e em simultâneo era preciso arranjar quem nos fizesse a publicidade para o Yaris, tratar das licenças, arranjar equipamento para o navegador... etc..etc... uma vez mais, há gente muito boa neste mundo!

Nunca vi os dias de Dezembro passarem tão rápido como os deste ano. O tempo voa quando estamos apertados nos prazos. E ao mesmo tempo nunca vi os dias de Dezembro passarem tão devagar como os deste ano, tal foi a espera pelo tão desejado "grande dia". Mas a boa notícia era que tudo se estava a conjugar para conseguirmos estar à partida do rali.

Por outro lado a má noticia é que eu estava "todo borrado" pela aventura em que me ia meter. O medo de correr mal, de estragar o carro era enorme e como já não conduzia aquele Yaris há vários anos, tinha a cabeça a ferver com a ideia de correr nuns dos mais espetaculares troços do país.

DIA DE RECONHECIMENTOS

Que comece oficialmente a aventura!! Bem cedo lá estávamos nós em Cerveira para levantar o road book e dar inicio a uma jornada de muita aprendizagem. Mesmo estando eu e o Luis perfeitamente familiarizados com o "tirar notas", uma coisa é a teoria, outra coisa é a prática e no meu caso a teoria são vários anos a escrever o que os pilotos me dizem, mas quando chega a hora de ser eu mesmo a ler a estrada e a ditar aquilo que os meus olhos vêem, o caso muda de figura."Tem de sair um trabalho bem feito", pensei... "não quero notas complicadas mas quero notas precisas porque vou ter muita dificuldade em ouvir de certeza e então a informação deve ser simples e prática".

Estava traçado o plano de trabalho e lá vamos nós para o belíssimo troço de Gondarém / Vilar de Mouros. Em velocidade muito reduzida, lá fui com a ajuda do Luis descrevendo a estrada com bastante atenção aos detalhes. Troço concluído e o Luis já dizia mal da vida: "vais-me pôr a falar pelos cotovelos, estou lixado"...

Troço seguinte, Gondar (um hino aos sentidos!!) e a estratégia era igual: muito devagar, com muita atenção para não falhar em nada. Pelo meio, as equipas experientes passavam por nós com uma naturalidade que eu só pensava "onde é que me vim meter.." (peço publicamente desculpas a quem atrapalhei nos troços).

Ok, notas tiradas, vamos fazer nova passagem para confirmar e corrigir. "Vilar de Mouros" mete muito respeito, repeti várias vezes que é um troço de nos deixar em sentido, e o Luis não escondia o nervosismo neste troço, não só pela dificuldade do traçado aliado à rapidez com que tudo se passa, mas também por ser uma estrada cheia de armadilhas onde o perigo está sempre à espreita. E esse nervosismo notava-se também pela falta de ritmo dele, mas eu estava confiante de que o meu co-piloto de serviço não ia falhar.

Troço seguinte, Gondar, tudo foi mais fácil, com maior fluidez e com as notas a resultarem muito bem o que dava uma certa confiança (bastante comedida) para o rali.

No entanto o meu nervosismo interior (leia-se medo) permanecia, precisava de andar com o Yaris para me adaptar e mesmo estando agendado para o dia seguinte um pequeno teste com o carro, eu não sabia se conseguiria estar à altura de tão desafiante traçado. Mas eis que se faz ouvir a voz da experiência. Comentava estes meus receios todos à hora de almoço e um dos melhores navegadores do nosso Portugal só me aconselhou estas palavras tão sábias quanto importantes: "conduz como se fosse no dia a dia, tranquilo e a desfrutar". Gravei este conselho, obrigado amigo Paulo Silva. Aprender é com quem sabe.

MARCAMOS UM TESTE, COMO UMA EQUIPA DE FÁBRICA

O dia seguinte aos reconhecimentos começou igualmente cedinho. Estava marcado um teste onde finalmente poderia sentar-me ao volante do Yaris e perceber o seu comportamento, a travagem, a caixa de velocidades... e ao mesmo tempo também queria saber se iria ser capaz de ouvir as notas do navegas. Um dia importante, portanto... só que nem sempre as coisas são como esperamos e um arreliador problema mecânico fez com que o teste não acontecesse.

Ok, se eu já estava nervoso, agora a coisa piorava. A avaria à partida era algo muito simples, mas o tempo que poderia demorar a reparação era uma incógnita para mim, mesmo se todos me tranquilizavam a dizer que era fácil e rápido. É que o tempo estava a correr e tínhamos os timings todos alinhados. Ainda era preciso levar o carro para decorar, a pessoa que o poderia levar só tinha uma pequena janela de tempo para o fazer e eu estava a ver a vida a andar para trás com medo que algo falhasse. Mas não falhou!! Obrigado pessoal!

A APRESENTAÇÃO

Já se adivinhava que a semana entre estes acontecimentos e o dia do rali propriamente dito iria ser difícil de aguentar, ainda mais com uma viagem de trabalho ao estrangeiro a obrigar-me a "ficar longe de tudo", mas quem tem um parceiro como o Luis Ferreira tem tudo (dores de cabeça incluídas!! kkkkk) e ele mesmo orientou e tratou tudo o que era preciso tratar nessa semana enquanto eu roía as unhas ao longe, cada vez mais nervoso.

Chega o grande dia: mostrar as cores do Yaris ao mundo, mostrar os nomes de quem tornou isto possível, os nossos patrocinadores, parceiros, amigos. Em plena aldeia de Covas, lá estava o Yaris vestido a rigor frente à Junta de Freguesia local. O rali passava em Covas, o navegador é natural de Covas, portanto, levar o nome desta maravilhosa terra no Yaris é um orgulho e uma honra, pois além de ter criado grandes amizades aqui, o meu percurso nos ralis faz-se também muito pelas estradas de Covas. Assim, o único local possível para mostrar o Yaris só podia mesmo ser em Covas.

Sessão fotográfica, umas filmagens e carro em exposição. Após o almoço um dos momentos altos desta aventura: a visita dos mais pequenotes. Vocês não imaginam a alegria daquelas carinhas, daqueles miúdos (ou se calhar imaginam) quando viram o carro, quando lhes abri as portas, quando os deixei entrar e sentarem-se nas baquets de competição. E as imensas perguntas... e o entusiasmo pelo rali lhes passar à porta... Senti-me tão recompensado por aqueles momentos, por tanta alegria genuína e pura que aqueles miúdos mostraram. Vale tudo a pena por momentos assim.

Apresentação feita, cores reveladas, mas faltava ainda algo muito importante que me continuava a atormentar o espirito e a provocar tremuras nas pernas: ainda não tinha andado com o carro! Por isso (e mais uma vez graças a um grupo de pessoas espetaculares) tudo se conjugou para me permitir rodar um pouco com o carro ao final da tarde.

Cintos apertados, capacete, luvas e... GOOOO!! Algumas passagens por um pequeno troço de 1500 metros deram para conhecer um pouco o comportamento do carro e dos pneus, a sua travagem, a melhor forma de abordar as curvas, etc... senti-me muito confortável, senti um feeling muito bom do pequeno Yaris e a confiança regressou em força. Este pequeno carrito revela-se a cada passo uma maquina de ralis gigante! Que comportamento!! Agora sim, está tudo a postos e estamos a viver o nosso sonho!

O GRANDE MOMENTO CHEGOU

Sábado, 18 de Dezembro. Um amanhecer solarengo, agradável, tranquilo por terras de Covas, local onde o Yaris se encontrava "hospedado". Era o momento de o transportar até Vila Nova de Cerveira (obrigado Zé e Leandro pela ajuda), colar os autocolantes da prova e seguir para as verificações técnicas. Pelo meio ainda uma ultima passagem rápida pelos troços para verificar o possível gelo e lama que encontramos durante o dia de reconhecimentos. Tudo ok. Alguém me pergunta "então, estás pronto?", ao que respondo "s..sim" meio a medo, meio confiante. Pensamento positivo, vai correr bem, estamos cá para nos divertirmos.

Hora dos zelosos comissários técnicos verificarem minuciosamente o poderoso Yaris e um selo muito bonito é colado no roll bar, dando-nos oficialmente entrada no Rali de Cerveira 2021, o sonho do Luis correr em casa, o meu sonho de me armar em piloto. Era real, estava mesmo a acontecer, o carro está em parque fechado de partida!

Dia concluído, hora de confraternizar num divertido jantar com o staff da Recirosa Competições, que nos proporcionaram todas as condições para correr sem preocupações e descansar cedinho que amanhã... bem...amanhã vai ser o caraças...

Nessa noite, adormecer foi um problema. Revi mentalmente os troços, qual Walter Rohrl antes da famosa noite de Arganil, mas com a pequena diferença que me perdi ao fim de 3 curvas... bom sinal, sem duvida! As palavras de incentivo choviam nas redes sociais, mensagens de apoio, de boa sorte, vinham de todo o lado e senti-me verdadeiramente acarinhado pela família dos ralis. Mas como a hora já ia avançada, toca a ficar offline.

Dia 19 finalmente. Acordei cedinho, dormi muito bem (obrigado D. Ester e Sr. Gaspar pela vossa hospitalidade e acolhimento) e sinto-me estranhamente tranquilo. Julgo que ainda não dei conta que vou mesmo concretizar este sonho de meia vida. Mas siga, vamos lá e logo se vê como sai...

O navegador mostra-se igualmente preparado embora não esconda o nervosismo com medo de falhar, com respeito pelo "Vilar de Mouros" e as suas intermináveis curvas carregadas de folhas, humidade, super escorregadias. Tento tranquiliza-lo para me tranquilizar a mim mesmo mas as borboletas no estomago deviam ser aos milhares naquele momento.

Está na hora de partir, capacetes postos e vamos para a primeira ligação, concentrados em aquecer os pneus e em passar bem este desafio...

VILAR DE MOUROS - A NOSSA PRIMEIRA CLASSIFICATIVA DE SEMPRE

"Arrancamos neste minuto... Tens 100 pela direita para esquerda 4 tarde. Vai com juízo, sem inventar", são as instruções dadas com a maior das tranquilidades pelo Luis naqueles segundos. "Smooth operator"... a nossa chave para tranquilizar. Um aperto de mão, vamos fazer isto bem. E 3...2...1...

Conhecem aquela sensação de sentir que uma milésima de segundo dura uma vida e permite ouvir o silêncio? Foi o que eu senti. Sem pensamento nenhum, sem ruído nenhum, sem qualquer distração, naquela milésima de segundo eu, o Luis e o Yaris éramos apenas um único átomo em todo o universo sem mais nada à volta...era como se estivéssemos encerrados numa câmara à prova de som. Indescritível.

Esquerda com direita, mais uma esquerda e outra direita e uma travagem forte para o gancho. Sem exagerar, parecia um passeio de domingo. Mas a meio do gancho o pisar do acelerador provoca um escorregar não previsto da traseira e em tom de alerta, o Yaris avisa-nos que aquilo não é um passeio e que é preciso ir concentrados e com boa margem de segurança. A descida seguinte faz-se bem, sem escorregadelas e chegamos à ultima direita lenta da descida. A partir daqui é dar gás até ao "salto" e depois, gás novamente até à esquerda lá no fundo, lenta e escorregadia. Novamente uma partida, desta vez com a frente a encontrar bem os limites exteriores da curva. Ponho-me em sentido, por momentos acho que estou a abusar da sorte e recebo um alerta bem vivo do Luis para ir tranquilo.

Vamos entrar no "carrossel", a mítica EN 301, o verdadeiro Vilar de Mouros. Asfalto novo, traçado rápido mas técnico e muita humidade. Ingredientes perfeitos para não permitir abusos e é dessa forma que fluímos de curva para curva, com o Luis a conseguir disfarçar bem os nervos e a fazer um optimo trabalho na navegação - aquela incerteza que eu tinha sobre o conseguir ouvir, dissipou-se, foi muito fácil ouvir e interpretar, levei o navegador certo!

Pelo meio, novo alerta quando vemos no meio da estrada o Tiago de OK na mão e logo a seguir à curva um Skoda "velho conhecido" atravessado. Que diacho... sinto muito por vós, rapazes. Mas isto serviu uma vez mais para manter o respeito pela estrada que íamos a pisar. Dali até ao final foi um pular de curvas para contra curvas, de travagens fortes, de respiração ofegante até àquela famosa direita antes da Ponte de Brasil onde em Janeiro de 98 assisti pela primeira vez a um rali. A sensação é brutal! Deu tempo para tudo, olhei para o tal talude e pensei "foi ali! E agora sou eu no palco principal..." Meu Deus...quão afortunado eu sou! Mas a concentração manteve-se, faltavam poucos metros e em escassos segundos estava completado o nosso primeiro troço de ralis! Explosão de alegria, emoções à flor da pele. Sei o quanto significou este momento para o Luis e fico imensamente feliz por ter sido eu a faze-lo com ele. Foi como tirar um peso de cima para ambos.

TROÇO A TROÇO, DE FORMA TRANQUILA

Um dos aspectos que mais me deixou feliz nesta estreia foi o conseguir realizar todo o rali sem que em algum momento me deixasse levar em demasia pelo entusiasmo e consequentemente a "inventar" ao volante, portanto creio que consegui manter uma boa margem de segurança e para isso muito contribuiu o excelente, magnifico mesmo desempenho do navegador que ajudou de forma prática, não deixou "adormecer" e não deixou que me esticasse, as notas foram precisas, no timing, sem falhas... bravo my friend!!

As passagens pelo troço de Vilar de Mouros e Gondar, especialmente este, foram qualquer coisa de surreal, parecia tão fácil e quilômetro a quilômetro, classificativa a classificativa, a nossa prova ia decorrendo na perfeição, sem sustos (que era obrigatório devolver o Yaris inteiro) e sem pressão. Continuo a pensar muito naqueles momentos e na maneira tão simples e espetacular como percorremos o traçado proposto pelo CAMI para este fecho de temporada, mas continuo honestamente surpreendido quando começamos a olhar com curiosidade para a tabela de tempos e vemos que estamos muito acima do que alguma vez imaginávamos. Sem falsas modéstias, fiquei e ainda estou meio incrédulo. Mas isso não fez com que entrasse em loucuras e mantivesse o ritmo seguro.

Simultaneamente tinha no Yaris um aliado de peso. O carro é soberbo, tem uma capacidade de curvar fora de série e quanto a problemas mecânicos, esteve irrepreensível. Tudo sobre rodas e a satisfação e gozo eram plenos. Falo por mim mas sei que falo igualmente pelo Luis quando afirmo que nos sentíamos dois meninos com um brinquedo novo. E troço após troço, os tempos foram sempre melhorando em relação às passagens anteriores o que também nos mostra que estávamos a fazer tudo bem feito.

GONDAR 3 - OS DERRADEIROS QUILÔMETROS

Fomos vendo ao longo de todo o dia vários concorrentes encostados em diversos sítios, uns por avaria, outros por incidentes de corrida (talvez o mais feio deles todos tenha mesmo sido a saída de estrada do Peugeot 206 do amigo Jorge Barbosa, felizmente sem consequências além dos danos materiais - Abraço para vós, Jorge e Bruna) e por isso quando entramos para a última classificativa sentíamos que o objectivo estava perto mas tínhamos mesmo que manter a concentração e o compromisso de segurança. E uma vez mais as coisas fluíram. Novamente, tiro o chapéu ao meu navegador - que trabalho brutal fizeste - e graças a ele, Gondar 3 foi quase quase perfeito. Bom ritmo, muita concentração, zero de exageros até à linha de meta.

Confesso: demorei alguns segundos a perceber que tínhamos conseguido terminar o rali e não vou mesmo esquecer a explosão de alegria que se seguiu quando tínhamos à nossa espera os colegas de equipa, amigos Cláudio e Nuno, que foram os primeiros a dar-nos os parabéns pelo feito com muita festa e abraços. Claro que saltei do carro e o abraço mais forte foi para esse doido que acreditou, lutou e teve a coragem de assumir a navegação nesta aventura. Luis Ferreira, OBRIGADO PELO QUE FIZESTE!!!

Seguiu-se a ligação e com ambos em silêncio pude reviver cada momento desde o primeiro instante em que nos passou pela cabeça participar na prova, desde o primeiro dia em que vi rali naquela direita antes da Ponte de Brasil, desde o início em que tanto eu como o Luis queríamos fazer um rali juntos... Revivi cada telefonema a pedir ajuda, cada conversa que tive com amigos que me disseram ter o maior dos gostos em ajudar a proporcionar este dia. E não, não deu para conter as lágrimas, foi muito forte o que vivi no passado dia 19. Quem me conhece sabe o quanto isto significou para mim e conseguir realizar o sonho em tão pouco tempo, com tanta gente pronta a ajudar, conseguir concluir com sucesso e ainda por cima a fazer tempos que não entendo como os fizemos... sem palavras!! Foi sem duvida o Rali das 1001 emoções!

Quando entramos em parque fechado e damos conta que nos conseguimos superar, quando tanta gente nos vem cumprimentar e dar os parabéns porque andamos muito bem, quando damos conta que vencemos na classe e fazemos um surpreendente 16º posto da classificação geral... eu nem sei bem o que responder e também por isso demorei todo este tempo da publicar "algumas palavras" (perdoem-me a extensão deste texto mas para mim é muito importante que o próximo capítulo seja lido).

AGRADECIMENTOS

Tivemos a honra que representar a Freguesia de Covas - "Covas como marca!" - e o primeiro agradecimento vai para o seu presidente André Araújo e para o nosso grande amigo Orlando Brito. Foram fundamentais neste projeto!

Seguem-se os agradecimentos à JPGS (Nelsón Silva), à Agrolima (na pessoa do Sr. Carlos), à Pellets Alto Minho (Arlindo Quintas), à Brandstore (Ricardo Barbosa), ao Grupo Medisil (my friend Miguel Silva), ao AutoStand Silva (Sr. Paulo), à Serpgroup (Pedro Freitas), à Encontro de Margens / Encontro Rent (obrigado Boss!), ao Stand Marciocar (Márcio Araújo), ao Supermercado Lírio (obrigado de novo D. Ester), ao Laboratório de Análises Clinicas de Barcelos (Miguel Carvalho), à oficina Manuel Matos - Chaparia e Pintura (obrigado Matos) e ao Restaurante O Cantinho (Judite e Mário).

Agradecemos também aos nossos parceiros na área do audiovisual que nos ajudaram ao máximo a divulgar os nossos patrocinadores: Tons & Midia Criativo (Tiago Pereira), DP Motormedia (o incansável Duarte Pires) e ao NV Sport, do qual faço parte. Um agradecimento extensível à Recirosa Competições (Ademar e esposa, Sr. Armando Pereira, ao Márcio e à Patrícia) pelo trabalho e disponibilidade, o Yaris esteve sempre impecável.
Não posso também esquecer a preciosa ajuda na parte da publicidade e decoração do Yaris - Obrigado Manuel Pereira e Sr. Eduardo da Lousa Pub., fantástico trabalho o vosso! Um agradecimento especial também ao grupo de amigos que no anonimato nos deram "um grande empurrão" para conseguirmos concretizar este sonho. Especialmente para vós (sabeis bem de quem falo), o nosso muito obrigado!

Por fim, o último agradecimento vai inteiramente para este maluco que me acompanhou desde inicio nesta aventura, que acreditou, que realizou, que trabalhou e ajudou e que assumiu o lugar de navegador fazendo um trabalho exemplar e fazendo deste realizar de um sonho em algo muito mais completo. Luis, isto sem ti não era a mesma coisa. Obrigado brother!

Feliz Natal para todos e nunca desistam dos vossos sonhos!

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