Opinião 2010

editorial281110Bem tentei mas não consegui fugir ao assunto do momento. Os regulamentos dos principais campeonatos de ralis em Portugal para 2011, publicados online pela FPAK, são a antítese de tudo aquilo que tenho escrito neste espaço nos últimos anos.

E não se percebe porque. Não se percebe qual a razão que leva a FPAK e o seu responsável máximo, a querer insistir em algo que todos, já quase sem excepções, dizem que está mal e deve ser alterado.

E a FPAK também sabe que está mal, ou não tivesse alterado de 20 para 15 o número de participantes numa prova do CPR para que ela seja pontuável na realidade.

O meu modelo é diferente. Apostava num calendário de 8 provas de um dia (mais ou menos 100 Kms de troços) para o CPR, as provas internacionais não contavam para esta competição e abria a mesma a todo o tipo de carros (menos WRC), apostando em pontuações claras e simples de entender por todos.

No Open a fórmula era a mesma que existe actualmente, mas com menos provas e com pontuações mais claras. Os regionais passavam a apenas cinco provas cada, também com pontuações simples.

O objectivo era claramente o de diminuir o número de provas num temporada, tornar as regras mais claras, mas ao mesmo tempo diminuir custos.

Não se pense contudo, que estas medidas iriam ter um grande efeito em 2011. De facto, as mesmas já deviam ter sido implementas há vários anos, ajustando os nossos campeonatos à nossa realidade.

Penso que se caminha para o abismo nos ralis em Portugal de forma intencional.

Bons Ralis, mas em segurança!!!

Paulo Homem

drcalisalgarve10Por Vitor Calisto: Foi estranho pisar as mesmas estradas que no final de 2007 pensámos ter percorrido pela última vez em competição.

E de uma certa forma e jeito a nostalgia sempre nos vai tocando à porta...

...primeiro devagar como se quisesse dizer-nos que não existia, depois como uma tremenda força que quase nos paralisia de medo ao sentir-mos que a nossa vida já está muito curta para percorrermos esta verdadeira classificativa da vida e de a fazermos com a qualidade e da forma que sempre pensamos.

Voltámos a conseguir reunir vontades e desejos, apoios e apoiantes, e sentimos novamente a "forma diferente de estar por dentro" que foi a nossa bandeira ao longo destes muitos anos que por aqui andámos.

E é curioso ainda nos lembrar-mos das curvas das rectas e dos pequenos acidentes e percurso de cada classificativa como se tivesse sido ontem que por cá passamos...

...e aquela pedra e aquela direita média que fecha muito no fim de atenção sobre esquerda gancho...

...está cá tudo como num livro numa biblioteca...à espera para ser lido...à espera para ser devorado...eterno...como a estrada que curva após curva nos trás à memória os melhores anos da nossa vida...

E os adeptos incontestados desta modalidade que nos continuam a interpelar e a saudar-nos pelo nosso regresso...e o apoio que nos dão na estrada, nos parques de assistência e mesmo quando se cruzam connosco na rua...

E os nossos colegas de desporto que tem sido inexcedíveis no abraço sentido que me tem dispensado...

É bom conhecer gente assim...tudo o que eu sou trago comigo...

...sem duvida por vocês que continuam a dar-me razão para o que faço...

...obrigado a todos sem excepção...

...mesmo para algumas vozes discordantes de além atlântico que têm no vosso e nosso campeão um exemplo nobre de atitude e simplicidade.

Fomos enganados

Esta foi a segunda prova das duas que nos propusemos a fazer este ano.

Uma época curta e desinibida na procura de sensações e emoções que só poderão ser vividas e sentidas aqui...e não têm possibilidade de ser vividas ou sentidas noutros locais ou cenários.

O que se vive no desporto automóvel, principalmente pelos que foram bafejados pela possibilidade de o viverem por dentro, sabem do que eu estou a falar...é algo de transcendental e único que jamais poderá ser esquecido.

Mas neste regresso fomos enganados, e bem...

Pensávamos que nos tínhamos inscrito numa prova do Campeonato maior de Ralis em Portugal, o Campeonato de Portugal de Ralis, e fomos parar a uma reunião de amigos, que a bem ver cabiam todos na mesma mesa de um restaurante, que gostam muito de automóveis e resolveram ir passar um fim-de-semana chuvoso de Outono a terras algarvias.

Vinte equipas, desta vez sem espanhóis, resolveram fazer o que mais gostam, e resolveram brindar um empobrecido Clube Automóvel do Algarve, que já teve melhores dias, com a sua presença.

Algumas dessas equipas só participam neste rali durante o ano, porque se não fossem esses...

E chamam a isto Campeonato de Portugal de Ralis...e que ainda por cima obriga a inscrição prévia no início do ano.

Fomos enganados, e desta vez conscientes dessa situação, pois esta organização, com pessoas que muito prezamos e admiramos continua a não privilegiar a diminuição dos custos de participação das equipas, obrigando-as a despesas perfeitamente desnecessários...

Por favor acordem e de uma vez por todas assumam que a maioria dos participantes são amadores puros e que tem de estar a trabalhar bem cedo no início da semana...porquê não condensarem a prova num só dia?

Porquê obrigar os concorrentes a fazer as verificações na sexta-feira á noite ou no sábado de manhã, para depois de uma longa espera durante todo o dia de sábado iniciar o rali ás 21 horas com uma perícia "mal parida" que até o excelente Autódromo de Portimão não merece, e só para Inglês ver...

...então não podia ter sido organizada um outro tipo de super-especial mais ao jeito de um prova de ralis em vez destas pseudo palhaçadas para convencer municípios e patrocinadores.

Estou convencido que sim...mas mesmo que fosse imprescindível a presença desta especial no programa, não poderia ter sido feita no mesmo horário ou até talvez mais cedo, mas depois de um rali com a sua parte de estrada, aquela que verdadeiramente nos move, totalmente realizada durante o dia de Sábado com as verificações feitas totalmente na 6ª feira à noite...

Desta forma libertava-se os participantes para regressarem, se assim o entendessem, na noite de Sábado ou então no Domingo, bem mais cedo, permitindo o merecido descanso a todos aqueles que na 2ª feira tem de trabalhar...e não abrir o parque fechado às 19h30 de Domingo para se carregarem as viaturas e, para alguns, percorrerem mais de 600 km.

Será pedir muito às nossas excelentes organizações amadoras que, por carolice, vão organizando as nossas provas, que pensem um pouco mais na redução drástica de custos...senão qualquer dia nem espanhóis...

E se não fossem os inscritos no regional sul, quem se deslocasse a Monchique para ver os "carros passar", se se atrasasse um bocadinho corria o risco de não ver "passar" ninguém.

E voltámos a ser enganados...porque há fins-de-semana assim...

...e podia não haver....mas se não houvesse não era a mesma coisa

Eu sentira, que apesar de todos os cuidados que a Inside Motor põe na preparação do carro e na participação da equipa, que a nossa montada não era a mesma que eu tinha guiado em Mortágua...

...havia alguma coisa de errado...o carro não andava o mesmo...não tinha tanta força e não fazia tanta rotação ...

O Joaquim, meu mecânico, meu navegador e essencialmente meu amigo garantiu-me que era nervos...e que tudo estava bem...

E eu acreditei...

...primeiro porque tenho confiança no meu mecânico, depois porque o meu navegador deve querer tanto um carro competitivo como eu próprio, e finalmente porque os amigos não devem mentir uns aos outros...

E era verdade... tudo estava bem com o carro...eram mesmo nervos!!!

Chegámos ao fim sem qualquer problema, íamos ganhando o agrupamento de Produção e ganhámos a nossa classe...o que é que o povo pode querer melhor?

...e tudo está bem quando acaba bem...

Excepto para a surpresa que me estava reservada por toda a gente no final quando me disseram que mais uma vez fomos enganados...

O motor com que fiz o Rali não era o mesmo...esse tinha entregado a alma ao criador na 5ª feira e teve de ser substituído pela motorização normal do carro de treinos...

Fomos enganados, mas muito lá no fundo, eu sei que sou um privilegiado por ter à minha volta pessoas tão dedicadas e que trabalharam no duro entre quinta e sexta-feira para que tudo corresse bem...

...assim é bom ser enganado...

Mas eu não vos consigo enganar, porque vocês sabem bem que os trago dentro do meu coração...

E o S. Pedro?

Mentira...tudo mentira quando referi que a relação entre o S. Pedro e os ralis tinha melhorado...

...tudo mentira...ele está atento, muito atento... e numa semana de Outono quase perfeita, a chuva só fez a sua aparição na noite anterior e na manhã do Rali.

Grande pontaria, inundando os troços de água lama e folhas, tornando-se esta mistura o ingrediente óptimo para uns belos passe de ballet que os executantes puderam experimentar nas traiçoeiras armadilhas das especiais de Monchique.

E cai o pano...

E caiu o pano sobre mais uma prova do Campeonato de Portugal de Ralis, sobre o próprio Campeonato e todos os campeões foram conhecidos e foram todos muito felizes.

E para o ano será que vamos ser todos muito felizes?

Vamos ter um Campeonato de Portugal de Ralis dimensionado à nossa realidade?

Vamos ter contenção de custos e provas redimensionadas no tempo e no espaço?

Vamos ter listas de inscritos recheados com bons e valorosos guerreiros e belas e magníficas montadas?

Vamos ter licenças desportivas mais baratas e licenças morais que não sejam uma imoralidade no preço?

Vamos ter os custos dessas licenças dividas pelas provas que se fizerem, par que o piloto que participe numa prova não pague o mesmo daquele que participa em dez?

Vamos ter custos de inscrição subsidiados para os pilotos que cumpram a maioria das provas do seu Campeonato?

Vamos ter uma Federação atenta e capaz de fazer alguma coisa em prol dos seus praticantes?

Vamos ter uma verdadeira Associação de Pilotos que possa fazer valer os interesses da maioria em busca de melhores condições e participação

Vamos ter jornais, rádios e televisões atentas, isentas e afastadas dos "lobys" de interesses que sempre as têm movido, na procura da divulgação deste desporto e dos seus praticantes que só subsistirá com a vinda de novos apoios e patrocinadores?

Vamos ter mais patrocinadores interessados em lançar jovens valores proporcionando-lhes meios e formas de poderem estar presentes rentabilizando o que neles foi investido?

Vamos ter mais troféus com carros de custos controlados, com participações controlados e com aliciantes listas de prémios?

Vamos ter?

NÃO, não vamos ter nada disso...

...continuará tudo na mesma, definhando cada vez mais, e no sentido da extinção completa...

...será que ainda ninguém percebeu?

Mas, no final o sabor do dever cumprido...

E haverá amanhã?

editor211110Terminou em Vila Real um longo e cansativo Campeonato Open de Ralis. Aquele que a FPAK tinha prometido 8 provas e que depois decidiu manter as 10, com que vai continuar em 2011.

Podemos começar mesmo por aqui. O número de provas é desajustado e torna a competição demasiado longa e pouco competitiva, tanto mais que só os melhores seis resultados é que contam. Uma medida tomada para 2010, que retirou emoção ao Open, pois permite que o vencedor desista muitas vezes ao longo de uma época e no final seja campeão.

Para a FPAK não interessa nada a componente desportiva. Interessa muitas provas, listas de inscritos cheias de carros, mesmo que a grande maioria seja de duvidosa competitividade. Aliás, é mais ou menos a mesmo fórmula que se quer para o nacional, que terão que ter uma prova do regional a acompanhar em 2011.

A promoção do Open foi uma desgraça. Não só porque não se deu continuidade ao trabalho que tinha sido feito no passado, e que era um bom início, como ficou a cargo dos clubes gastarem dinheiro com isso. O resultado foi obviamente desastroso.

O regulamento, nomeadamente em termos de pontuações, é também desastroso. Simplificar as pontuações ajudava a entender melhor o que está em disputa no Open.

Mas nem tudo foi mau. Destaque para o Desafio Modelstand, não só pela qualidade dos pilotos e das máquinas, como também para o Troféu FastBravo, que permite colocar a correr pilotos que de outra forma não teriam hipóteses de o fazer. O Troféu "Fiat(e)... em nós e Acelera" também apareceu e trouxe mais pilotos para o Open.

Destaque também para aqueles clubes que apostaram em ralis de um dia com quatro troços a serem disputados por duas vezes (sem dúvida que é a fórmula que serve para o Open), ao contrário dos ralis de dois dias ou provas com reduzido número de especiais de classificação.

Bons Ralis, mas em segurança!!!

Paulo Homem

editorial1421O primeiro tema deste editorial não poderia ser outro que não a vitória de Armindo Araújo no PWRC de 2011, repetindo o feito de 2010.

Independentemente dos adversários deste ano serem mais "fracos", e de Armindo Araújo ser claramente dos pilotos com mais experiência do plantel, o piloto luso não poderia falhar precisamente por essas razões. E não falhou, mas fica-se com a sensação de que foi uma época em que marcou passo e pouco evolui na sua carreira, mesmo se o resultado final foi claramente positivo.

Apostou e bem em novas provas, que lhe permitem ser dos poucos pilotos (tirando os oficiais) com conhecimento de quase todas as provas do Mundial, como investiu numa equipa que lhe proporcionou todas as condições, depois de também ele ter conseguido reunir as condições necessárias para fazer um mundial como se fosse um piloto oficial.

Chegado a este ponto, cola-se novamente a seguinte questão: e agora? Só mesmo o Armindo Araújo é que pode responder, mas na minha opinião é tempo de evoluir, arriscando num carro mais competitivo e numa competição mais aguerrida. Por certo que é isso que o Armindo Araújo também quererá.

Mesmo com uma lote de carros muito interessante, o Campeonato de Portugal de Ralis terminou no Algarve num ambiente muito carregado.

O futuro é manifestamente incerto apesar de muitos dos principais pilotos que este ano estiveram nesta competição terem intenção de continuar.

Fica no entanto a clara certeza que a FPAK teve em 2010 a oportunidade, que esperamos não seja única, de mudar o rumo dos acontecimentos do Campeonato de Portugal de Ralis para 2011 e para os anos seguintes. Vamos ver onde isto vai parar.

Bons Ralis, mas em segurança!!!

Paulo Homem

editori710Por formação familiar, académica e pessoal custa-me muito a acreditar que certas pessoas utilizem as posições que ocupam, em determinados orgãos federativos e associativos, para fazer vingar os seus interesses em detrimento dos interesses de todos.

Com todas as atitudes e contra-atitudes que têm vindo a ser tomadas no desporto automóvel em geral, e não apenas pela FPAK, o desporto automóvel segue cada vez mais torto.

Duvido até que muitas dessas pessoas na realidade gostem de desporto automóvel, atendendo a que se servem mais dele para se promover e fazer valer os seus pontos de vista, do que servir o desporto automóvel e torná-lo realmente grande e visível.

Qualquer iniciativa privada no desporto automóvel tende, logo à nascença, para morrer. A FPAK não se interessa minimamente pela promoção de jovens valores, a não ser que isso lhe traga benefícios. Com tão poucas oportunidades que existem de se encontrar novos valores, todas elas deviam ser apoiadas e patrocinadas pela FPAK.

O Rali de Portugal vai ter um evento em Lisboa. Uma iniciativa que poderá vir a ser interessante para a divulgação dessa prova e dos ralis em particular. Mais curioso é saber que um dia o Rali de Portugal poderá regressar às suas origens geográficas... já existindo quem o garanta a "pé juntos".

Última nota para a Golden Stage, iniciativa da responsabilidade dos organizadores do IRC que viu a luz do dia no Rali de Chipre. Parece-me uma solução interessante, que pode ser ainda mais desenvolvida e seguida por outras organizações. As super-especiais "enlatadas" estão definitivamente fora de moda e pouco deram aos ralis.

Bons Ralis, mas em segurança!!!

Paulo Homem