Opinião 2010

editorial26102010Neste derradeiro editorial do ano, como é normal, tenho que agradecer a quem colaborou comigo, apenas e só, pelo gosto e paixão que têm pelos ralis.

Uns mais que outros, todos foram fundamentais a seu tempo e no momento certo, quer para trazer as notícias certas quer aquelas fotos (ou mesmo vídeo) que se tornaram um ex-libris deste órgão de comunicação social. Ninguém em Portugal dá tantas notícias de ralis nem publica tantas fotos como o Site dos Campeões e isso deve-se em grande medida aos nossos amigos / colaboradores.

Ricardo Nascimento, Rui Fonseca, Bruno Fernandes, Luís Pacheco, Gonçalo Luís, Miguel Castro, Tiago Gouveia, Ricardo Nunes, Tiago Fonseca, Pedro Meira, Marc Hilger e Miguel Alvarez (espero não me ter esquecido de ninguém), são também responsáveis pelo sucesso do Site dos Campeões. Muitos outros não os poderei divulgar aqui. Alguns porque são as nossas valiosas fontes de informação outros porque tiveram colaborações muito pontuais.

Não quero contudo perder a oportunidade de agradecer aos clubes (especialmente aqueles que nos deram o seu apoio logístico), aos pilotos (que são a nossa principal fonte de informação), aos organizadores de troféus privados e de uma forma geral às equipas. A todos, sem excepção, peço-lhes que continuem a comunicar sempre mais e melhor, usando e abusando do Site dos Campeões para promover as suas provas e os seus projectos. Estamos cá para isso mesmo: DIVULGAR OS RALIS EM PORTUGAL.

Mesmo sem ter razões para pensar que seja assim, desejo melhores ralis para 2011 a todos vocês.

Bons Ralis, mas em segurança!!!

Paulo Homem

Editorial191020Estou convencido que uma das grandes dificuldades que existirão em 2011 para as organizações, e por consequência para os ralis, passará por convencer as Câmaras Municipais a apoiar as provas de rali, nomeadamente nos regionais.

Já em 2010 houve ralis anulados e a perspectiva é que poderão haver alguns mais em 2011, nomeadamente aqueles que têm a terra como piso de eleição.

Sabendo-se das dificuldades que a Câmaras Municipais atravessam e a demora crónica em pagar muitas das responsabilidades assumidas, fazem-me pensar num 2011 bem complicado.

Novos paradigmas apareceram entretanto. Alguns Câmaras não só não pagaram como até receberam dinheiro, isto é, perceberam que os ralis podem ser um fonte de financiamento e não de despesa.

Contudo, diga-se mesmo assim em abono da verdade, que ainda são as Câmaras Municipais grandemente responsáveis por haver ralis, não tendo esses organismos públicos o devido reconhecimento pelo que fazem em prol dos ralis.

Para finalizar desejo a todos os leitores e amigos do Ralis Online um Feliz Natal.

Bons Ralis, mas em segurança!!!

Paulo Homem

editorial111033Continuo a ver no Open provas mais bem organizadas do que algumas provas do Campeonato de Portugal de Ralis, como também vejo nos regionais alguns ralis bem melhor organizados que certas provas do Open.

Porém, todos os anos, com base em relatórios que ninguém conhece e com argumentos que só encontram explicação no surrealismo dos regulamentos, é que ficamos a saber no final da época quais são os ralis que sobem e os que descem de "divisão".

Está também na altura de tornar o processo claro e simples, acabando de vez com este tipo de arranjo que só serve a alguns, mas que não esclarece nem elucida ninguém.

Para mim, todos os anos devia obrigatoriamente descer uma prova do Nacional ao Open e duas do Open aos regionais (subindo uma do Open ao Nacional e duas dos regionais ao Open). Tornando-se os relatórios objectivos e divulgando-os publicamente, para que não existam dúvidas de que o processo é claro, levava a que os clubes que quisessem subir e não quisessem descer, tivessem que trabalhar melhor as suas provas.

Havendo maior competição entre clubes, os ralis só teriam a ganhar com isso, levando também a uma melhoria organizativa das provas de estrada em Portugal.

Bons Ralis, mas em segurança!!!

Paulo Homem

josemasrt10opDesde criança que queria ser Piloto, mas como o custo dos Ralis em Portugal é proibitivo para a maior parte dos portugueses, a solução para entrar no mundo dos Ralis foi começar como Navegador.

Assim sendo a partir do momento em que um amigo reuniu as condições necessárias para começar a correr foi de um modo natural que me sentei no banco do lado direito.

Isto de ser Navegador é um gosto que se aprende, mais ainda quando se anda em bons carros e se discutem vitórias e campeonatos, mas o ser Piloto está sempre no subconsciente da maior parte dos Navegadores.

Eu não fui excepção e com a minha vinda para o Algarve por razões profissionais acabei por competir nos Slalons, primeiro com um 5 GT Turbo alugado e depois com o Saxo, para além de ser Navegador no Campeonato Regional Sul de Ralis.

E assim foi, 19 anos depois de começar nos Ralis sentei-me finalmente ao volante numa prova cuja "aventura" passo a relatar:

Começamos pelos treinos que correram bem apesar do Rui Coimbra se sentir um pouco enjoado no fim do troço de 17 km quando tiramos as notas, depois fomos tratar das verificações onde o Saxo levou o seu primeiro selo de verificado (uma estreia também para o carro).
Devo referir que foi complicado mudar o "chip" de Navegador para Piloto, onde nas pequenas coisas notava a diferença como procurar o cronómetro e lembrar-me que o Rui é que o tinha, colocar o capacete no banco do pendura, ou ainda ter que usar luvas de competição, mas pior era algum nervosismo pela razão de estar perto de concretizar o meu sonho de miúdo.

O meu carro é um Citroen Saxo Cup que comprei com 160.000 km em que montei um roll bar da OMP, corta corrente, um extintor, fechos de capot, um escape, duas baquets e cintos, um suporte do pneu suplente, um volante, uma gambiarra, cuja "preparação" é o motor com uma admissão troféu, travagem com discos de série com umas pastilhas e óleo de competição, tubos de travões metálicos, travão de mão hidráulico, repartidor de travagem, caixa de série (longa.......) e a suspensão de série com umas molas mais baixas.

Como era o número mais alto do Rali fui o primeiro a partir para a Super Especial a seguir aos zeros, e aí pela primeira vez na minha carreira nos Ralis fiquei nervoso ao ponto de me esquecer de ligar os máximos e os suplementares (os originais do carro, claro...) e arranquei, após a primeira rotunda tínhamos uma recta com uma esquerda a seguir onde eu entrei com pneus frios e muito confiança, pois tinha de atacar (porque a Super Especial não deixa de ser um Slalom), a aí dei uma traseirada enorme direito a um poste e pensei que ficava já ali, felizmente não tirei pé e lá agarrei o carro mas a partir daí fui devagar pois para susto já chegava, e depois não via nada somente com os médios ligados e ainda por cima começou a chover. Mesmo assim ainda ficaram atrás de mim alguns (amigos) adversários.

Domingo de manhã, estrada molhada e eu com Fedima intermédios com meio uso que já tinham sido do Augusto Páscoa, lá fomos para o primeiro troço onde entrei com todas as cautelas onde não "inventei" nada e que correu sem sustos, a seguir fomos para o troço grande com 17 Km onde comecei novamente devagar até porque pouco depois após o começo estava um amigo concorrente fora de estrada, deste modo aonde não estava sujo tentei andar mais um pouco e comecei a perceber até onde podia ir na (pouca) aderência do carro.

Qual foi o nosso espanto no parque de assistência quando verificamos que estávamos em segundo dos extras e em primeiro do grupo N após a saída de estrada do Filipe Cristóvão e do furo do Vasco Tintim, estando o Vitor Torres no Escort MK1 em primeiro e o Jean Marie Grenier no 131 Abarth muito próximo atrás de nós, e fomos para a segunda ronde.

A confiança já era outra e andamos mais depressa, e foi no troço pequeno que finalmente comecei a sentir o que é guiar um carro de Rali, desde o ir a fundo até uma travagem, a velocidade (cheguei a dar 160 km em troço), o escorregar do carro e o aproveitar da estrada toda, e principalmente ouvir e fazer o que está nas notas, o prazer de estar ao volante foi extraordinário e o gozo que me deu foi enorme e acabamos por efectuar um tempo "simpático" para mim e para o Saxo.

Por fim no troço grande andamos novamente mais depressa mas com a cabeça no chegar ao fim, ainda mais porque continuamos a encontrar vários carros fora de estrada o que nos refreou o entusiasmo. Na chegada a sensação foi de dever cumprido, e ainda por cima com um bom resultado e duas taças (2º da geral Extra e vencedor do Grupo N), sendo de salientar que estivéssemos incluídos no Regional ficávamos no 14º lugar na geral e primeiro da classe 1 até 1600.

Neste momento os meus pensamentos são vários sobre a experiência, mas definitivamente passei a valorizar ainda mais o papel dos Navegadores, senti quanto importante é o seu papel dentro de um carro em que no caso do ritmo e da confiança são fundamentais, mas o principal que eu aprendi nesta aventura foi a sentido de responsabilidade de um Piloto levar alguém ao seu lado num troço de Rali, alguém que tem de confiar no condutor e que arrisca a sua integridade física tanto como o Piloto em nome do desporto que nós gostamos.

Por fim tenho de agradecer ao Rui Coimbra por ter tido a "coragem" de ter ido ao meu lado, por nunca me ter travado e pelo que me ajudou, ao Team Laureate pelo muito que trabalharam no carro para o por em condições para correr, e aos muitos amigos que me incentivaram nesta aventura e que tornaram ainda mais especial esta participação.

Agora tenho um problema... apanhei o gosto de guiar e tenho o Saxo, e já me comprometi com o Rui Coimbra como Navegador para 2011 novamente com o Golf GTI (desta vez com um motor 2.0 16V), deste modo se calhar para o ano tenho de ir fazer uma ou duas provas de asfalto no Open para em 2012 passar a Piloto no Regional Sul.

Saudações desportivas,

José Martins

editorial511Terminou finalmente mais uma longa época de ralis. Dura, cansativa e nem sempre compensadora, esta foi uma época desgastante, mais uma vez com demasiadas provas, algumas delas sem qualquer interesse desportivo.

Mais uma vez também, o Site dos Campeões, cumprindo com o seu estatuto editorial (publicado desde o início do site), continua promovendo os ralis em Portugal. A diferença é que nós estivemos lá. Sim, lá no terreno, junto de pilotos, organizadores e no meio do adeptos e leitores do Ralis Online, que nos incentivam cada vez mais a manter este projecto de pé.

No dia em que apostarmos ficar a maioria dos Sábados e Domingos em casa e esperar que as notícias nos caiam sem o mínimo esforço iremos embora.

No actual cenário económico e na conjuntura até certo ponto decadente dos ralis em Portugal, por culpa federativa, não é fácil manter actualizado um orgão de comunicação social como este da forma como achamos que é correcto fazer, isto é, estando lá!!!

Por isso, vamos continuar acima de tudo a promover os ralis à nossa maneira, com os meios que dispomos e com a disponibilidade possível.

Bons Ralis, mas em segurança!!!

Paulo Homem