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danielbal109Daniel Ribeiro torna-se em dois anos de ralis no Open, um dos principais pilotos desta competição, por via essencialmente da exposição obtida pelas duas vitórias no Desafio Modelstand.

Qual o balanço desta época?
Sem dúvida que a época 2010 correu muito bem, em 10 provas participámos apenas em 7, mesmo assim fomos vencedores do Desafio Modelstand, campeões das duas rodas e 3º lugar no Campeonato Open.

Quer dizer que os objectivos foram todos cumpridos?
Os objectivos foram cumpridos pois a nossa ideia seria repetir a vitória no Desafio, mas ao longo do ano vimo-nos envolvidos numa grande luta à geral e para ser sincero em alguns momentos ainda sonhamos no Campeonato Open. Caindo na realidade sabiamos que seria impossível com o nosso carro e com o nosso orçamento lutar pelo campeonato absoluto.

Quais foram os altos e baixos desta temporada?
Tivemos bons momentos e também alguns menos bons.
O Rali de Fafe correu muito bem e foi muito bom darmos ao público e alguns fãs da nossa cidade assim como aos patrocinadores locais a vitória no Desafio Modelstand e um 2º lugar à geral num rali em que os pisos estavam escorregadios. É um orgulho muito grande fazer um rali na nossa cidade, nem todos os pilotos se podem orgulhar de ter um rali na sua própria cidade.
O Rali de Barcelos foi um dos ralis que ficou na história, entramos numa grande luta com o Joao Ruivo (que roubava pontos na classe duas rodas), e com o Nuno Pina, mas infelizmente a meio do rali ficamos sem direcção assistida e não era fácil conduzir o carro ainda por cima em troços sinuosos como era a parte da tarde, para ajudar ainda ao problema da direcção cometi um erro ao passar de caixa e danificamos partes do motor (acabando este por trabalhar muito mal), mesmo assim fomos em 3ºs na classe duas rodas e 2ºs no Desafio apenas a 0,8s do vencedor.
No Rali do Medronho encontramos um traçado que nos agradou imenso. Entrámos determinados a fazer um bom rali desde o primeiro troço, fizemos tempos magníficos chegando mesmo a ganhar troços a geral. Na parte de tarde optamos por abrandar o ritmo pois para além de estarmos em 2º à geral não havia necessidade de ir arriscar pois o nosso interesse era a vitória no Desafio e já estávamos na frente cerca de 50s e tinhamos os pneus bastante gastos e seria uma asneira arriscar em demasia, acabando então por vencer o Desafio, as duas rodas e fui 5º da geral.
No Rali Vidreiro, este é um rali que também é do nosso agrado, uma vez mais entrámos como se costuma dizer de mangas arregaçadas, apesar do tempo criar uma dor de cabeça a todas as equipas na escolha de pneus, escolhemos ir de pneus seco e vencemos logo à geral a 1ª especial. Na parte da manhã que começamos bem, acabou por corre mal, uma grande chuvada na última especial e um apoio do motor partido atirou-nos para trás das primeiras equipas. De tarde a indecisão continuava, então optámos por ir com pneus de seco, fizemos uma prova de trás para frente e acabamos por vencer no Desafio e nas duas rodas, além disso bem lutámos pela vitória à geral mas acabamos por perder no último troço para o Luis Mota por 2,8s. Neste rali cometemos uma ilegalidade ao dar uns cortes nos pneus e fomos então desclassificados dentro do Desafio.
No Rali de Cerveira por falta de orçamento não podemos estar presentes nesta prova, então perdemos a liderança do campeonato para o Campeão Manuel Coutinho.
Em Arganil, entramos nesta prova para a fase da terra, 2 dias antes do rali fomos fazer um teste e ganhar ritmo em pisos de terra, ao começar o teste na qual fizemos cerca de 5km tivemos um acidente contra um motociclista, então acabaram ai os testes para reparar o carro. No rali tivemos vários problemas, desde muito pó dentro do carro no qual mal conseguiamos ver para frente, um furo num pneu, além disso sentimos imenso a falta de ritmo em pisos de terra e tinhamos tido um acidente dois dias antes na qual ainda estava um pouco assustado. Os nosso tempos não foram muito bons, lutámos ate ao fim e na ultima especial sem estarmos a contar caiu-nos a vitória por um furo do Pedro Ortigão.
No Rali de Gondomar, é uma das provas das quais gosto do traçado. Então sabiamos que podiamos fazer uma boa prova, é óbvio que sem perder a cabeça pois tinhamos obrigatoriamente de pontuar para o Desafio. Fizemos um rali bastante controlado depois do despiste do António Rodrigues, mas tinhamos o Pedro Ortigão muito próximo de nós. Lutámos até ao fim e foi o rali que mais gostei em toda a minha vida. Travamos uma luta enorme com o Pedro e estava a ser um rali muito ranhido, só saberiamos quem saia vencedor na última especial. À entrada da última pec estavamos à frente do Pedro Ortigão com uma margem pequena e sabiamos que tinhamos de andar muito bem e não cometer erros. Infelizmente quando a festa está animada aparece sempre alguém para estragar a mesma, foi o que nos aconteceu quando em pleno troço apanhamos uma pick-up que nos fez perder imenso tempo e a luta pela vitória no Desafio.
Fomos então para o Rali de Loulé determinados a resolver a vitória no Desafio Modelstand 2010. Para isso bastava-nos apenas sermos 4ºs classificados no Desafio. Fizemos uma prova com bastantes cautelas mas o azar vinha mesmo a bater a nossa porta. Quatro furos ao longo do rali, no qual dois deles na última especial, parámos depois de 4 kms para trocarmos os pneus, à frente cerca de 4 kms voltamos a furar na qual optamos por continuar o troco com o pneu da frente furado cerca de 9km. Acabámos este rali em 5º lugar, então tivemos a prenda de natal antecipada pois o 5º lugar no Desafio acabava por ser suficiente para a vitória no Desadio Modelstand 2010.

Depois de conquistado o Desafio Modelstand faltava o título na Categoria 1. A aposta na ausência acabou por compensar?
Restavam os Ralis Terras de Basto e Vila Real para sairmos vencedores da classe duas rodas motrizes. Teriamos de melhorar um dos nossos resultados, ou então o 2º classificado Gil Antunes não poderia vencer estas duas provas, o que veio acontecer já no Rali de terras de Basto.

A quem agradeces este título?
Quero agradecer à equipa Macominho Sport pelo fantástico trabalho que fizeram ao longo do ano, ao meu navegador Hugo Magalhães que está sempre a dar-me o apoio necessário para os nossos resultados, aos nossos amigos e fãs pelo grande apoio que nos deram ao longo do ano, e sem esquecer os nosso patrocinadores pois sem eles jamais seria possível alcançar estes títulos, nomeadamente Intermarche Fafe, Fafe Amor de Cidade, Auto Mika, Ladivoffice, Raio, Chapinta, Ralute, DM Higiene, Pneus Telo, JB Castro, Mundo Inventos, DPi, International Car, Padarias Verinha.
Quero também agradecer aos organizadores do Desafio Modelstand pela trabalho magnífico que fizeram ao longo do ano, é sem dúvida que se não houvesse alguém com coragem para fazer um evento destes (carro competitivo, bons prémios e época relativamente barata) certamente hoje muita gente não conhecia várias equipas que estão a fazer o Desafio.

Qual o teu projecto para 2011?
Estamos a tentar levantar um projecto num carro que sempre sonhei conduzir. Até agora ainda não temos qualquer resposta, por isso teremos de aguardar mais uns dias.

Para terminar, qual é a tua opinião sobre o Open de Ralis?
É sem dúvida um campeonato engraçado e com um ambiente entre equipas do melhor que pode existir, embora na minha opinião várias coisas podiam ser mudadas para melhorar o mesmo.
Na minha maneira de ver não faz sentido um campeonato ter 10 provas na qual só é permitido pontuar em seis, ou seja, isto acaba apenas por beneficiar as equipas com mais orçamento pois fazem as 10 provas e escolhem as melhores pontuações.
O sistema de pontuação na classe duas rodas devia ser alterado, pois não faz sentido um piloto que se esforça para ser 3º na classe levar os mesmos pontos para casa que um piloto que tenha ficado em 20º.
Podiam também criar uma taça para veiculos ate 1.400cc. Há muitos carros até esta cilindrada parados pois no Open não lutam por nada.
Outra coisa que eu acho é que com a situação económica que o país atravessa deixa de fazer sentido correr em pisos de terra, pois ao longo dos anos venho notando que as autarquias não tem dinheiro para compor os troços.

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