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meekeA edição 2023 do Rali da Água vai ficar marcada por uma série de acontecimentos desportivos (e não só) que permitem que o Campeonato de Portugal de Ralis vá para a última prova com quatro candidatos ao título, tendo todos eles reais possibilidades de o vencer, sendo que três pilotos (Miguel Correia, José Pedro Fontes e Ricardo Teodósio) dependem unicamente de si próprios para o vencer!!!

Porém, neste Rali da Água o grande protagonista foi... Armindo Araújo, mesmo não tendo vencido o rali por apenas 1,8s de diferença para Kris Meeke, que conseguiu precisamente chegar à liderança do rali na derradeira especial, aliás, super-especial.

"É um pouco estranho o rali decidir-se na super-especial, mas acontece... Foi uma prova bastante difícil, atendendo às condições climatéricas que íamos encontrando, mas o desafio não deixou de ser interessante, depois de uma bela luta com o Armindo", referia Kris Meeke.

O piloto britânico esteve ao nível que se esperava dele e por isso andou todo o rali na discussão da vitória, o que talvez não fosse esperado é que iria ter um adversário duro de roer até final do rali. O atual Campeão de Portugal fez um rali monumental, com reservas apenas para as duas passagens pelo troço Eurocidade, onde perdeu quase 15s nas duas passagens, e pelo facto de não ter conseguido manter o primeiro lugar no derradeiro troço (onde não quis arriscar nada) perdendo 5 pontos que poderão fazer muita falta. De resto, foi o piloto que mais troços venceu neste rali (5) e que consegue também ele levar para o Rali Vidreiro a discussão do título. Depois do malfadado início de temporada, quem diria que neste momento estava na discussão do título?

"Fizemos um excelente rali e mesmo que não tenhamos conseguido segurar a vitória, por apenas 1.8s, saímos daqui muito satisfeitos pois fomos extramente competitivos durante todas as especiais. Fizemos um excelente trabalho nas afinações do nosso Skoda e tivemos sempre uma boa escolha de pneus. Foi pena não podermos ter disputado a Power Stage e termos estado muito tempo parados na entrada para a Super Especial, ao contrário do nosso principal adversário. Penso que foi esse a momento chave para o desfecho deste rali", disse no final Armindo Araújo.

Num rali extremamente complicado, sobretudo no primeiro dia com muitas variações do tempo (já que no segundo dia estiveram sempre as mesmas condições, com os troços sempre encharcados), é verdade é que a lotaria dos pneus foi uma constante nesta prova a que nem todos os pilotos acertaram.

José Pedro Fontes mesmo saindo de Chaves no segundo lugar do CPR, que era por certo um dos seus objetivos, não esteve nem perto de lutar pela vitória e quando pensou atacar na Power-Stage, para recolher alguns pontos que lhe poderiam ter dado a liderança do CPR, a mesma foi cancelada devido ao despiste de João Barros, não havendo assim pontos extra para ninguém!!! A verdade é que se Fontes vencer no Vidreiro será Campeão.

"Uma escolha de pneus menos acertada e que acabou por nos custar muito tempo, impedindo-nos de lutar por um lugar melhor. Esta foi uma gestão complicada. Ora chovia ora secava e esta alternância, definitivamente, não nos foi favorável", disse José Pedro Fontes.

Se o quarto lugar absoluto foi para Vitor Senra, num Skoda Fabia Rally2, fazendo uma prova bem interessante e competitiva, a verdade é que não "rouba" pontos a ninguém e, com isso Ricardo Teodósio, mesmo tendo descido a quinto da geral no derradeiro troço, acabou por somar pontos importantes, que lhe permitirão depender apenas de si para ser... Campeão. A prova de Ricardo Teodósio esteve longe de ser positiva e a verdade é que é melhor o resultado do que a exibição. O seu Hyundai nunca esteve perfeito (chegou mesmo a ir abaixo no arranque da última especial), e em momentos muito críticos, como a segunda especial onde chovia copiosamente, perdeu demasiado tempo e com isso quaisquer hipóteses de lutar por algo mais nesta prova.

Mesmo assim a nota menos vai para Miguel Correia. Não se pode esquecer que era e é ainda o líder do CPR, mas este Rali da Água foi verdadeiramente para esquecer, com erros, com más escolhas de pneus e com um andamento inferior a todos os outros adversários que lutam como ele pelo título de Campeão. Contudo, Correia não atirou nem vai atirar o tapete ao chão, pois continua a depender dele para conquistar o título. Esperava-se mais de Correia nesta prova, que foi mesmo superado pelo regressado Pedro Almeida no sexto lugar da geral, remetendo o líder do CPR para o pior resultado da temporada (será porventura o resultado a deitar fora).

Tratou-se de um rali difícil, que acumulou muitos atrasos, com incidentes "chatos" de resolver e com o insólito de não atribuir pontos na Power Stage (e tão importantes que eles eram nesta prova e neste momento do campeonato), depois do despiste de João Barros precisamente nesse troço não ter deixado os principais concorrentes concluir essa especial.

Não se pode dizer que a organização tenha estado mal, pois o rali teve sempre interesse desportivo, mas esta ida a Espanha não trouxe nada de novo à prova nem qualquer interesse adicional, até porque não conseguiu captar mais público (nem a chuva serve de desculpa), nem sequer a mudança do parque de assistência, que esteve sempre "às moscas". Mete dó ver o CPR, em momentos de decisões, com tão pouca envolvência, mas talvez a FPAK tenha respostas a dar sobre isso.

Não foi só no CPR que houve emoção. Nas duas rodas motrizes Gonçalo Henriques, no Renault Clio e Hugo Lopes (Peugeot 208) travaram uma grande batalha à chuva. O piloto de Viseu ainda passou pela liderança, mas perdeu-a logo no início do segundo dia (devido a uma má escolha de pneus) e não mais a voltou a "apanhar" apesar de tudo ter tentado. O seu adversário, teve uma vitória épica, a primeira no nacional, num rali (difícil) onde a rapidez e a destreza fizeram a diferença.

Hugo Lopes, com este resultado obtido nesta prova, consegue obter o título de Campeão de Portugal Júnior (e também do Rally & You), mas mais importante é que reforça a sua posição de liderança no CPR 2RM, a uma prova do final.

Ricardo Sousa não teve o ritmo nem o andamento de outros ralis, ficando a mais de um minuto de Gonçalo Henriques, o mesmo sucedendo a Ernesto Cunha que ficou no quarto lugar, embora estes quatro pilotos possam lutar pelo título no Rali Vidreiro.

No Campeonato de Portugal de Clássicos Nuno Mateus venceu, ficando na frente de Luís Mota e de Cipriano Antunes.

No Campeonato Promo, onde só terminaram cinco concorrentes, a vitória foi para Rui Borges no Citroen C3 N5, ficando à frente de Nelson Trindade no Lancer Evo X e do Saxo endiabrado de Filipe Teixeira.

Ao nível do Promo Norte, Marco Oliveira no Polo N5 levou a melhor, ficando atrás de si Jorge Carvalho no 208 R2 (que venceu também o Start Norte), deixando Rui Borges no terceiro lugar.

Na FPAK Junior Team, Rafel Rego venceu e convenceu, com uma exibição de grande nível, onde a concorrência ficou a mais de... 4 minutos.

COMANDANTES SUCESSIVOS
Armindo Araújo (Pec 1 a 3), Kris Meeke (Pec 4), Armindo Araújo (Pec 5 e 6); Kris Meeke (Pec 7); Armindo Araújo (Pec 8 e 9); Kris Meeke (Pec 10)

VENCEDORES DE TROÇOS
Armindo Araújo (5), Kris Meeke (4)

CLASSIFICAÇÃO FINAL
agua23final

 

 

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