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15 anos é muito tempo! Mas não para o Motorshow autoClássico Porto, que, este domingo, encerrou as suas portas, na Exponor, com mais um assinalável sucesso, provando que a idade não pesa, antes pelo contrário, influência o êxito.

Aquele que é já visto como um dos grandes acontecimentos desporto automóvel nacional, mas que há muito alargou fronteiras concentrando também a afluência de largos milhares de espanhóis, teve, em 2017, quatro dias de festa (aproveitando o feriado de 5 de outubro) e voltou a espalhar magia por todos os aficionados do automobilismo.

O infernal ritmo das máquinas da competição (alguns deles o último grito em tecnologia), o cheiro a borracha queimada e o inconfundível barulho dos motores sempre em alta rotação, serviram de chamariz, numa explosiva mistura de emoções para quem nutre paixão pelos desportos motorizados.

Num saudável convívio com o Salão autoClássico – o maior certame da Península Ibérica de veículos clássicos, que reuniu cerca de 400 viaturas, muitas das quais de inegável valor histórico e patrimonial e incontornável beleza e raridade -, o Motorshow Porto voltou a associar um ambiente de descontração, onde o público e pilotos conseguem uma proximidade difícil de obter noutras provas, à adrenalina da competição, com o "Troféu Piloto Motorshow", fazendo dessa inusitada mistura o seu maior trunfo.

Convidado principal e verdadeiro cabeça de cartaz desta popular festa do automobilismo ibérica, o ex-Campeão do Mundo de Ralis, Hannu Mikkola, reservou, para si, grande parte dos holofotes mediáticos. Mas esse destaque e projeção acabou por ser inversamente proporcional à humildade com que o piloto finlandês atendeu todas as solicitações de autógrafos, fotos, "selfies" e conversas, só ao alcance dos grandes Campeões.

Mas o triplo vencedor do Rally de Portugal, atualmente com uns respeitáveis 75 anos, não veio ao Motorshow autoClássico Porto fazer apenas figura de corpo presente e receber elogios. As suas atuações, ao volante de um Ford Escort MK II (modelo igual ao que venceu quatro dos 18 triunfos que deixou registados no Campeonato do Mundo de Ralis) foram de excelência na condução e primor na eficácia, deliciando o público que não lhe poupou respeitosas ovações.

Para Mikkola, "foi muito divertido regressar a Portugal, 33 anos depois de ter vencido o Rally de Portugal. O país evoluiu incrivelmente, mas a simpatia das pessoas mantém-se e isso é o melhor que se pode esperar. Guiar o Ford Escort também foi como viajar na máquina do tempo e reviver muitas das emoções por que passei ao volante do meu carro de ralis favorito. Foram quatro dias muito divertidos, para um 'jovem' da minha idade!"

Mas à margem de campeão finlandês, a esta 15ª edição do Motorshow autoClássico Porto 2017 também não faltou o espírito competitivo do "Troféu Piloto Motorshow", que levou ao rubro os espectadores que deram outro colorido às bancadas.

Mário Barbosa tornou-se pela terceira vez consecutiva o vencedor desta competição, depois de uma luta muito aguerrida com Gustavo Moura e Joaquim Santos que durou até à Super Final. Mas com "nervos de aço" e um Citroën DS3 WRX, com cerca de 600 cavalos de potência, muito bem afinado, o piloto do carro amarelo não deixou escapar o trunfo. Nas suas palavras, "esta foi uma vitória bem mais suada que as anteriores devido à mudança do traçado menos favorável ao meu ao DS3. Mas com muito esforço e empenho conseguimos ganhar!"

Parte integrante do espetáculo também foi promovida pelas exibições de luxo dos pilotos convidados Vítor Pascoal e Pedro Leal, que, no Porsche 997 GT3 e Ford Escort MK II, respetivamente, não se coibiram de proporcionar muitos sorrisos e aplausos e, certamente, alguns calafrios, a quem teve a oportunidade de se sentar no banco do lado direito dos dois carros.

Finalmente e por categorias, o Motorshow autoClássico também premiou os desempenhos de Bruno Gonçalves (Citroën Saxo S1600), que venceu a categoria "2WD", Filipa Sanguedo (Opel Adam R2) que se destacou na categoria "Feminina", e Joaquim Bernardes (Volkswagen Golf GTI) o mais eficaz na categoria "Clássicos".

Quatro dias de emoções fortes e que se tornaram inesquecíveis para todos quantos o viveram, premiando o intenso trabalho da organização da Xikane, e que não podiam ter deixado o Pedro Ortigão, o seu responsável, mais satisfeito: "Tivemos uma 15ª edição memorável, com os pilotos a darem um excelente espetáculo, animação até ao último minuto no que toca à luta pelo vitória no 'Troféu Piloto Motorshow', e um convidado muito especial como Hannu Mikkola, a quem quisemos prestar uma justa homenagem, proporcionando ao público, uma das últimas oportunidades para ver os seus incríveis dotes de condução de que aos 75 anos muito poucos se podem orgulhar".

Com a satisfação de dever cumprido, é agora tempo de olhar para o futuro do Motorshow autoClássico Porto que, segundo Ortigão, "tem tudo para ser tão auspicioso como nos primeiros 15 anos. A ideia é continuar a dar pequenos passos, mas sólidos, que nos permitam evoluir este evento tão popular e nunca ficarmos conformados com o que já foi feito".

Só resta, então, esperar pela 16ª edição do evento! E a contagem decrescente já começou...

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